Título: Em busca e para além do filosofema aristotélico: um ensaio acadêmico sobre a teoria olaviana dos Quatro Discursos.
Tipo: Trabalho de Conclusão de Curso.
Autor: Medeiros, Jason de Almeida Barroso.
Orientador: Castro, Rodrigo Jungmann de.
Resumo: Este ensaio acadêmico busca apresentar, de modo sintético e orgânico, a Teoria dos Quatro Discursos desenvolvida por Olavo de Carvalho. Argumentamos que foi ao se deparar com problemas filosóficos contemporâneos relacionados a diversas formas de dualismo ontológico, sobretudo aquelas aplicadas às realidades da cognição e da cultura — como a célebre tese das “duas culturas”, formulada por C. P. Snow em sua palestra The Two Cultures (1959) — que o filósofo brasileiro encontrou no corpus aristotelicum e na tradição de comentários a esses textos os fundamentos necessários para a crítica de tais concepções. Isso porque Aristóteles constitui, na interpretação de Olavo de Carvalho, o modelo paradigmático de oposição a toda forma de dualismo, independentemente da maneira sob a qual este se apresente. Ao investigar a obra do filósofo grego, Olavo de Carvalho identifica como seu filosofema central a ideia de unidade e desenvolvimento orgânico, isto é, de uma unidade ontológica que integra as partes de um todo em relações de interdependência e evolução. A partir desse princípio e com base em sugestões encontradas em Avicena e em Sto. Tomás de Aquino, o filósofo brasileiro propõe uma releitura do Órganon aristotélico, incorporando a Poética e a Retórica ao conjunto das disciplinas lógicas e relacionando esse Órganon ampliado às teorias psicológica e gnosiológica de Aristóteles. Desse rearranjo emerge uma ciência unificada do discurso humano segundo seus diversos graus de credibilidade: o possível poético, o verossímil retórico, o provável dialético e o necessário analítico. A essa potência quaternária do ser humano, Olavo de Carvalho denomina Teoria dos Quatro Discursos. Tal teoria fornece igualmente os fundamentos para compreender a evolução da cultura grega, desde o universo mitopoético dos oráculos e poetas até a retórica política da democracia; desta, à investigação dialética socrático-platônica; e, por fim, ao formalismo lógico do conhecimento científico aristotélico. Argumentamos ainda que essa teoria funciona, por exemplo, como uma chave interpretativa capaz de integrar perspectivas contemporâneas como as de Jeffrey Walker, em Rhetoric and Poetics in Antiquity (2000), para quem o discurso retórico surge do discurso mitopoético, e as de Catarina Dutilh Novaes, em The Dialogical Roots of Deduction (2020), segundo a qual a lógica possui raízes essencialmente dialógicas. Seus princípios descrevem não apenas a evolução orgânica da cultura grega, mas também a formação intelectual do Ocidente e do mundo islâmico, podendo ser estendidos à compreensão de outras civilizações. Desse modo, sustentamos que Olavo de Carvalho parte de fundamentos aristotélicos para desenvolver uma autêntica filosofia da cultura, voltada à compreensão dos processos pelos quais indivíduos e sociedades transitam da percepção à ciência, bem como de diversos outros aspectos centrais de sua reflexão filosófica.
URI: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/69734.
